Esses políticos...

José Serra (PSDB) passou como um raio por aqui na última quarta-feira, mas sua passagem gerou um fato incrível: o súbito interesse de Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Mendonça Filho (DEM) pelo governador de São Paulo. De uma hora para outra saudado como o grande opositor ao presidente Lula e como tal um nome forte para disputar a sucessão do petista em 2010.

Claro que Serra driblou daqui e dali, foi descartando o papo de sucessão presidencial e deve ter deixado Pernambuco com o ego nas alturas pois os políticos são assim mesmo.

Agora, se tiver uma boa memória, com certeza fez uma rápida conta de diminuir para contabilizar menos sinceridade em tudo que viu ou ouviu nas três horas e pouco que passou pelo Recife.

Pois não deve ter esquecido que, em 2002, quando disputou a Presidência da República com Lula, sua campanha eleitoral em Pernambuco era igual a uma pedra de gelo, por conta do fraco interesse do então governador Jarbas Vasconcelos e seu vice, Mendonça Filho.

É verdade que eles fizeram um comitê para o tucano, chegavam perto quando ele visitava o Estado, mas empenho mesmo, nenhum. Porque com Lula disparado nas pesquisas o peemedebista e o ex-pefelista se resguardavam para não desagradar os eleitores, para desespero de Serra que não conseguiu decolar na terra de Lula.

Como os ex - aliancistas estão fora do poder e Serra tem cacife para disputar outra fez a Presidência da República, agora eles dispensam outro tratamento ao governador de São Paulo. E fazem a maior salinha para ele como se nunca tivessem renegado o tucano.

Picuinha dos petistas

Mais de um milhão de alunos estão ameaçados de perder o ano letivo por conta da greve dos professores da rede estadual de ensino que começou no dia 11 de junho, foi considerada ilegal pela Justiça, mas as aulas não recomeçaram.

Hoje, os professores realizam uma nova assembléia, às 14h, na quadra no Instituto de Educação de Pernambuco (IEP) para decidir se continuam parados ou se retornam às salas de aulas.

As reivindicações dos professores são justas. Eles querem reajuste salarial, salário-base acima do mínimo, um padrão de qualidade para as escolas, concurso público para a área administrativa e convocação dos professores aprovados no último concurso.

Injustiça eles cometem quando prejudicam mais de um milhão de alunos porque deixaram que a questão política dominasse o movimento.

Afinal, o PT é quem dá as cartas no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e não fosse a picuinha dos petista essa greve não teria se transformado na mais longa dos últimos 10 anos. 

Também nos hospitais

E a influência dos petistas entre os grevistas não fica só na área de educação não. Na saúde, os seguidores do PT também estão pintando e bordando - esticando a corda, como se diz - para ver até onde Eduardo Campos agüenta o tranco.

Como os professores, os médicos também fazem justas reivindicações, mas perdem a razão e a simpatia da população quando fazem greve, pois aí começam a jogar com vidas.

 E olha que o PT é aliado do governador. Imagine se não fosse.

O maestro Jobim  

O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, pode até não resolver nada como tantos outros ministros de Lula, mas passou credibilidade ao assumir o cargo, ontem, prometendo trazer comando e organização para o sistema aéreo brasileiro.

Como não é petista - o que já é uma vantagem -  Jobim foi objetivo e duro ao anunciar que a prioridade agora é a segurança do sistema e que o momento é de ação no enfrentamento da crise do setor aéreo e não de ficar se lamentando ou remoendo o que deixou de ser feito. "Aja ou saia. Faça ou vá embora."

Há quem interprete essa parte do discurso do ministro como uma crítica direta ao antecessor, Waldir Pires, de quem recebeu o cargo. E deve ter sido mesmo e daí?.  

Pelo menos mostra que está chegando disposto a encontrar soluções para a crise aérea e para isso sinalizou que vêm aí mudanças no setor dizendo abertamente que estava faltando comando e que isso acabou com  a chegada dele: "Não pode haver mais comandos fora da regência. Tem que funcionar como uma orquestra e o maestro sou eu. A música e composição são do presdente. Eu executo isso", afirmou.

Entre as mudanças está a troca dos dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero. Pela disposição, Jobim vai fazer o que já devia ter sido feito há muito tempo.


31/07/2007
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